Com a chegada dos Romanos à região, as alterações foram radicais e o velho povoado proto-histórico vai ser refundado, como se de uma verdadeira criação de raiz se tratasse, adaptando-o às normas do urbanismo ortogonal romano e formando um espaço estruturalmente urbano.
Pelos finais do século I a.C.-inícios I d.C., a acrópole continuou a ser habitada, mas expandiu-se a área para oriente e sul. Dos lados norte e ocidental, os limites continuaram a definir-se por uma muralha que passaria quase no cimo da encosta, decalcando as defesas da Idade do Ferro. Do lado oriental, a nova cidade chegava até perto da actual igreja de S. Miguel, englobando ainda a Rua das Bocas que estria quase encostada à muralha. Do lado sul, por sua vez, a muralha seria uma linha que viria desde próximo da escadaria da igreja do Carmo, até à entrada da Rua Direita, subindo depois até meio do Largo da Misericórdia, até à porta localizada logo abaixo.
No século I, esta muralha fundacional, certamente mais simbólica que defensiva, era rasgada por portas que se localizavam no extremos dos cardo e decumanus principais: ao fundo e ao cima da Rua Direita actual, no extremo da Rua do Gonçalinho e ao fundo da Rua da Misericórdia.
O urbanismo romano no século da refundação da cidade, capital de civitas, baseava-se na existência de dois eixos principais, o cardo, no sentido Norte –Sul e o decumanus,  no sentido Este – Oeste. O cardo permanece ainda hoje no perfil da Rua Direita que reocupou aquele traçado e o decumanus principal, seguiria aproximadamente o traçado da rua do Gonçalinho, continuado pela rua Escura e depois por detrás da Sé e do Museu de Grão Vasco, seguia até ao fundo da rua da Misericórdia, onde se localizava a porta ocidental.
Todas as outras ruas seguiam paralelas a estas, excepto na zona principal do antigo castro, a encosta nordeste, desde a acrópole da Sé até à porta norte, ao fundo da Rua Direita, onde ainda hoje existe um certo caos urbanístico que não se vê na restante área urbana.
Paralelos ao cardo principal existiriam outros, cujos vestígios permanecem nas actuais rua das Bocas, Avenida Capitão Silva Pereira e Largo da Prebenda/rua do Chantre.
O decumanus principal, cujo traçado a actual rua do Gonçalinho prosseguiu, tinha como paralelos a Rua da Prebenda, a Rua Augusto Hilário, que provavelmente continuaria até à muralha do lado oriental por uma linha cortada pela instalação de uma quinta oitocentista.
Um outro ponto urbano fundamental de qualquer cidade romana era sempre o forum, centro político, religioso, administrativo e social. Ali se localizava a administração pública nos diversos edifícios públicos que ali existiam, se administrava a justiça, no edifício chamado basilica, se fazia o comércio nas diversas tabernae existentes e se adorava o deus protector da cidade no templo que a população lhe dedicava. O forum da cidade romana de Viseu localizava-se na acrópole, precisamente onde hoje está o Largo da Sé. A única certeza que temos sobre o forum viseense, é que um templo se localizava no sítio onde hoje está o claustro do Museu de Grão Vasco. Quando se fizeram as obras de recuperação do Museu foi descoberta a base de várias colunas do templo. Seria da ordem jónica e as colunas mediam de 75 centímetros de diâmetro o que faria dele um templo grandioso com colunas de 7 a 8 metros de altura. A este templo pertenceriam as colunas e base que estão na Quinta da Carreira e um capitel e base que estão guardados no Claustro da Sé de Viseu. Era um grandioso templo períptero1 e assentava provavelmente sobre um pódio de que não restam vestígios.
O pavimento do forum era uma base de lajes de granito de que ainda restam vestígios numa cripta existente sob a capela-mor da Sé de Viseu. Todo o complexo do forum assentava, muito provavelmente, sobre uma plataforma que nalguns pontos teve que ser suportada por fortes muros de sustentação, devido ao desnível do terreno. Vestígios destes muros poderemos ainda vê-los nos cunhais e muro que se encontram, no lado oriental, nas traseiras da Sé, na parede virada ao Largo de S. Teotónio.

 


1 A primeira vez que nos referimos a este templo considerámo-lo como céltico-gálico. Ora, observando melhor o levantamento publicado, parece que deverá antes considerar-se como um templo períptero a que pertenceriam as colunas e capitéis que se encontraram até agora em Viseu. Estas bases de coluna fazem dele um templo igual ao famoso e grandioso "templo de Diana", em Mérida, capital da província da Lusitânia a que Viseu pertencia e foi construído na primeira metade de século I da nossa era, época que também convém às colunas de Viseu. O templo de Diana estava também integrado num dos fora da cidade de Emerita Augusta.

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