Sondagem arqueológica à Cava de Viriato procura respostas ao “mistério” da sua construção

Investigação conduzida por Catarina Tente procura “dados rigorosos” e “novas informações” sobre a origem e a construção do maior símbolo territorial de Viseu

A Cava de Viriato, em Viseu, recebe esta semana uma ação arqueológica de sondagem e de prospeção com o objetivo de procurar “dados rigorosos” e “novas informações” sobre a data e a origem da construção desta que é a maior fortificação em terra da Península Ibérica, classificada como Monumento Nacional desde 1910.

Os trabalhos arqueológicos são conduzidos pela investigadora Catarina Tente, subdiretora do Instituto de Estudos Medievais da Universidade Nova de Lisboa, tendo o apoio da Câmara Municipal de Viseu. A ação está inserida no projeto de investigação “Do fim do império romano ao início do Reino”, relativo ao período da pré-nacionalidade portuguesa, e conta com a participação de Manuel Real, professor jubilado especialista no período da alta Idade Média e em arqueologia medieval.

Com formato octogonal, constituído originalmente por oito taludes em terra e respetivos fossos, com 2000 metros de perímetro e cerca de 38 hectares, a origem e a data da Cava de Viriato permanecem um mistério para historiadores e arqueólogos.

A hipótese da Cava de Viriato constituir o projeto inacabado de uma “cidade áulica” (ou de Poder) na alta Idade Média tem vindo a ganhar forma e está no centro da investigação de Catarina Tente.

As explicações têm-se dividido em diferentes teses e períodos da história, que vão desde as ocupações romanas às conquistas muçulmanas e à alta Idade Média cristã, atribuindo a fortificação ora a acampamentos militares, ora (mais recentemente) a um projeto inacabado de uma nova cidade.

Segundo Catarina Tente, “existe muita informação sobre a Cava de Viriato, mas nenhuma dela concreta e conclusiva sobre a sua origem. Nesta sondagem recolhemos amostras de sedimentos de solo para sujeitar a estudos que permitam uma maior aproximação à data da sua fundação. É uma tentativa para chegarmos a respostas. Felizmente, as amostras têm qualidade.”

O Presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques, saúda os trabalhos de investigação. “A Cava de Viriato é um monumento absolutamente singular do património português e é o maior símbolo territorial de Viseu. O conhecimento sobre a sua fundação é um contributo para a sua valorização histórica e cultural, mas também social e turística. Pela sua dimensão e pelo seu formato octogonal, a Cava é a vários títulos magnética .”