Viseu expõe achado arqueológico que revela a origem do nome da cidade

Os Paços do Concelho recebem a ara de Vissaium, e a publicação “Viseu – o Fio da História”, na próxima segunda-feira, dia 18 pelas 18 horas.

A abrir a exposição vai estar o Presidente da Câmara, o Vereador da Cultura Jorge Sobrado e a equipa de arqueólogos que fez o achado. Quase uma década depois de ser encontrado numa escavação arqueológica, o altar de pedra da era romana que revela a origem do nome da cidade de Viseu vai ser exposto no átrio da Câmara Municipal de Viseu.

“É um belo presente de Natal para os viseenses e para todos quantos gostam de património e história”, considera o Presidente da Câmara, Almeida Henriques. “Queremos fazer um resgate do nosso património histórico e esta devolução à cidade tem um grande significado”, afirma. “Não era compreensível que esta peça, pelo seu singular valor simbólico, continuasse fechada num armazém.”

A história do achado remonta a 2009 quando é encontrada uma “ara” romana na travessa da Misericórdia, bem perto da Sé de Viseu, no âmbito de uma escavação integrada nas obras do Programa POLIS, conduzida pelo arqueólogo Pedro Sobral e pela empresa Arqueohoje. Essa “ara”, de granito e com a forma de prisma, típica da era romana, data do século  I d.C. e constitui um altar na qual se lê uma dedicatória aos deuses locais.

“Trata-se de um documento e de um monumento únicos”, justifica o Vereador da Cultura e do Património, Jorge Sobrado. “Através deste documento, conseguiu-se trazer luz ao mistério que sempre envolveu a origem do nome da cidade de Viseu. O nome mais antigo, alguma vez descoberto, é Vissaium”, explica.

A inscrição da ara, em latim, está intacta e é totalmente percetível. A sua tradução diz: “Às deusas e deuses vissaieigenses. Albino, filho de Quéreas, cumpriu o voto de bom grado e merecidamente” Com esta dedicatória, Albino, uma personalidade da época, materializa o cumprimento do voto feito às divindades de lhes erguer um altar. E ao dedicar a mensagem aos “deuses vissaieigenses”, percebe-se que “vissaieigenses” deriva de Vissaium, o nome da cidade naquela época.

Segundo os estudos de epigrafia entretanto realizados, o nome de Viseu evoluiu assim de Vissaium para Visseu e Viseo e, finalmente, à designação atual.

Segundo o estudo da geografia política romana na Península e segundo outros achados arqueológicos, Viseu terá sido capital de um vasto território. Presume-se que o local onde foi encontrada a “ara” teria sido, naquela época, um fórum romano.

O Município de Viseu acredita que este achado arqueológico contribui, também, para a promoção do turismo em Viseu, tendo a intenção de integrar a peça já na primeira fase do Museu da Cidade, que irá ser concretizado no atual ciclo autárquico.