Legado artístico de Rodrigues da Costa é apresentado ao público este domingo

Exposição homónima toma quatro museus municipais de Viseu e estará patente até 10 de setembro

A partir deste domingo, 26 de março, Viseu será “anfitriã” de uma exposição dedicada ao autor português Augusto Rodrigues da Costa (1933 – 2013).

A inauguração terá lugar na Quinta da Cruz, pelas 17 horas, e contará com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques, a Vereadora da Cultura, Odete Paiva, e a família do artista.

A exposição traduz um périplo pela obra incomum de Rodrigues da Costa e estará presente em quatro museus municipais da cidade. Na Casa da Ribeira predominam os desenhos, nomeadamente autorretratos e séries relacionadas com a temática dos “touros” e membros alongados. Já na Casa das Memórias estarão expostas obras em pastéis e aguarelas, nas quais o artista trabalhou a presença e ausência da cor, num panorama abstrato. No Museu Almeida Moreira é possível observar várias lacas inspiradas nos granitos da Serra da Estrela, inerentes à última fase do trabalho de Rodrigues da Costa, aquando da sua residência em Seia. O quarto e último núcleo, a Quinta da Cruz, apresenta pinturas a óleo e acrílicos.

“A vida e obra de Rodrigues da Costa testemunham o caráter simultaneamente local e universal da criação artística”, salienta Almeida Henriques, Presidente da Câmara. “Esta exposição é um ecrã relevante do percurso artístico do autor e um forte contributo no sentido de um encontro com o público”, conclui.

No decurso da sua longa carreira, Rodrigues da Costa participou em exposições individuais em Luanda (Angola), Lisboa (Portugal) e Amiens (França), e coletivas em Portugal, Estados Unidos e França. O seu legado artístico contempla mais de duas mil obras, maioritariamente sem títulos, assinaturas ou datas. Contudo, a qualidade assinalável da produção criativa do autor faz com que esta exposição adquira um especial significado no panorama das exposições artísticas nacionais, sendo considerada a sua primeira grande exposição individual em Portugal.

A par da exposição, no ato de inauguração, será também lançado um catálogo pelo Município de Viseu, que contempla vários textos escritos por Rodrigues da Costa, nos quais o artista faz uma reflexão pessoal sobre a sua obra e o fenómeno artístico e de criação. Jean-Marie Lhôte, antigo diretor da Casa da Cultura de Amiens, em França, na qual o autor trabalhou como responsável de exposições, e Joana Mendonça, artista plástica viseense, participam também deste catálogo com os seus testemunhos.

O vasto espólio do artista poderá ser contemplado até 10 de setembro de 2017.

Sobre Rodrigues da Costa

Nascido no Sátão, em 1933, Augusto Rodrigues da Costa passou grande parte da sua juventude em Angola, onde o seu pai explorava uma plantação de café. Cedo iniciou  a sua carreira no panorama das artes, tendo realizado a sua primeira exposição aos 22 anos. Mais tarde, enveredou pelo estudo da pintura na Escola Superior de Belas Artes, em Lisboa. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, estudou em Nova Iorque, onde contactou com artistas de renome, e lecionou pintura e desenho, dentro e fora de Portugal. Em 1969, fixou a sua residência em Amiens, França, tendo mais tarde regressado a Portugal, onde faleceu, em 2013.