Aliadas às Memórias da Ribeira estão também as memórias de um artesanato tradicional, representativo de uma vasta região alcançando todo o distrito de Viseu.

Por toda a região há núcleos de artesãos, oficinas em atividade, onde é possível adquirir objetos manufaturados, seja em cestaria, olaria, tecelagem, rendas ou bordados, ferro forjado e trabalhos em madeira, bem como as flores de papel mais conhecidas por flores dos namorados.

A Casa da Ribeira, situada na zona ribeirinha da cidade com faces voltadas para o Rio Pavia, é, por excelência, o local de promoção e divulgação do artesanato regional. É centro de recolha e de investigação dos principais caracteres da cultura material (artesanato) de um povo demarcado numa vasta área envolvente de Viseu. É um espaço de experiências culturais, cumprindo objetivos museológicos, associando o objeto exposto a uma pedagogia viva suportada pelo trabalho do artesão, que aqui encontra um espaço de trabalho onde a pessoa e o labor se dignificam e onde a lição do passado se pode articular com os tempos modernos.

A presença da arte da tecelagem com as mantas de farrapos, as mantas de alevante e colchas de lã, tecidas nos velhos teares urdidos em linho ou algodão, com cores e repuxados, permitem uma construção pictórica apreciada e muito procurada, passando pela olaria onde o barro preto é caracterizado por uma técnica invulgar que se tornou apreciada pelos seus padrões estéticos remetidos para o campo da arte.

Os bordados de Tibaldinho, executado sobre tecido grosseiro de algodão branco, que substitui o antigo pano de linho e a renda de bilros, que mantém o difícil manuseio dos bilros sobre piques fixados nas almofadinhas de onde saem minuciosas e delicadas peças, são exemplos magníficos do artesanato regional. A presença do cesteiro, que tenta adaptar historicamente a tecnologia e os utensílios à matéria-prima e à morfologia das diferentes necessidades regionais, alia-se ao trabalho árduo que é tratado com mestria através de um metal duro que só o calor da forja consegue amaciar e de onde saem belíssimas peças de ferro forjado.

Vincadas são também as coloridas e bonitas flores dos namorados que passaram a fazer parte de uma identidade, enquanto valor de património cultural, e que hoje são identificativas da nossa cidade.