A habitação social constitui a aproximação básica e tradicional dos Municípios à problemática social.
O chamado “bairro social” foi a fórmula encontrada para responder ao problema das famílias economicamente mais desfavorecidas.
O mais antigo dos bairros sociais de Viseu – o Bairro Municipal (também conhecido por Bairro da Cadeia) – foi construído em 1948.
Disponibilizou cerca de 120 casas do tipo unifamiliar, então referenciadas como “casas para famílias pobres da cidade de Viseu”.
Os seus moradores vieram do atual centro histórico, onde as habitações deixaram de dar resposta,
Mas o bairro foi também o sinal de um ténue crescimento urbano, uma vez que alguns moradores vieram das aldeias mais próximas para desempenhar funções públicas (nalguns casos ligadas ao estabelecimento prisional) e trouxeram as suas famílias.
As famílias do bairro dispunham de fracos rendimentos obtidos em profissões essencialmente braçais, ligadas ao sector primário ou a um incipiente sector secundário.
Para atenuar essa fragilidade económica, trabalhavam também no cultivo dos campos anexos – as chamadas “belgas” (espaços hoje ocupados pelo Bairro 1º de Maio e pelo Edifício das Magnólias), terrenos em que criavam ainda alguns animais para uso agrícola ou consumo doméstico.
Passadas que são seis décadas, há mudanças notáveis:
Num tal quadro e para dar resposta a uma população debilitada e envelhecida, a necessitar de tranquilidade e conforto, perdeu relevância a feição originária da ruralidade do Bairro.
Foi elaborado um Plano de Regeneração, que de resto está em curso e aponta para dois vetores principais de intervenção:
Esse mesmo Plano de Regeneração, a que nos vimos referindo, está enquadrado num protocolo celebrado com o IHRU (ex-INH), que traduz o início de uma inflexão muito importante na política de habitação social.
Na verdade, o acordo prevê a aquisição e reabilitação de habitações em diversas zonas do Concelho, seja no perímetro urbano da cidade, seja em freguesias periféricas.
Isto representa uma nova forma de encarar o problema, através da diversificação da localização das habitações, em atenção ao ambiente adequado e às necessidades dos agregados familiares a realojar, e subsidiariamente, com vista à dinamização do respetivo território.
Ao mesmo tempo, tal desagregação e disseminação permite evitar fenómenos de marginalização e estigmatização das famílias concentradas em bairros sociais, negativamente diferenciados e profundamente vincados em termos urbanísticos e arquitetónicos.
Nesse sentido, estão já sinalizados alguns prédios degradados e desocupados na zona histórica, para serem adquiridos pelo Município.
Uma vez reabilitados serão devolvidos à sua função de casas de morada de famílias, repovoando, dinamizando e dando vida ao centro da nossa cidade, zona nobre e sensível do território municipal.
De resto, o Município já detém várias frações espalhadas pela cidade:
À meia dezena de frações no Bairro 1º de Maio (1969), vieram recentemente juntar-se ao Património Municipal as demais habitações não tituladas por privados (38).
É mais um bairro que se veio juntar aos quatro preexistentes:
Em todas estas habitações sociais o Município tem procurado manter as melhores condições de habitabilidade, em termos de segurança e conforto, higiene e salubridade dos moradores e famílias:
A gestão do parque habitacional tem sido rigorosa e cuidada do ponto de vista social
Mas o apoio no âmbito da habitação vai para além, muito para além dos bairros sociais.
Há também apoios à construção e reconstrução em casa própria de famílias carenciadas, com um rendimento per capita abaixo dos 75% SMN.
Trata-se do “Viseu Solidário”, um programa que prevê
Também as famílias de rendimento mediano têm um apoio até 5 000 euros para pequenas obras de recuperação, tais como
É o chamado PROHABIT, um outro programa municipal de apoio, em que a recuperação de habitações é um objetivo pelo menos tão importante quanto a própria situação económica do agregado familiar, se bem que o seu rendimento por pessoa deva ser necessariamente inferior a 4 vezes o SMN.
Este apoio tem tido um enorme desenvolvimento.
Só para dar uma ideia:
Deve dizer-se que, em ambos os Programas, as famílias são tanto mais beneficiadas quanto maior for o número dos seus membros.
Em qualquer das situações expostas o cálculo do rendimento per capita é corrigido com uma dedução por cada descendente:
Ainda que a habitação de cariz social seja a área privilegiada de intervenção municipal, como se começou por dizer, a nossa Câmara não se limita a intervir nessa área, mesmo na ausência de um quadro normativo definidor de outras intervenções.
Isso porque, desde logo, as questões da habitação não se esgotam com a entrega de uma casa. Exige
Mas há uma outra razão para a intervenção dos Municípios em praticamente todas as áreas sociais, ainda que para além do âmbito de ação exigível. Tem a ver
Assim acontece, no caso de Viseu, com intervenções em diversas áreas de defesa da família, dentre as quais lembro
Senhoras e Senhores
Seria certamente fastidioso, ainda que não necessariamente despropositado, prosseguir com a apresentação de outras áreas de intervenção.
Deixaria apenas nota, se me permitem, de que os nossos objetivos e a nossa intervenção incluem todos os grupos etários e toda a factualidade típica.
Estamos a reforçar os meios dedicados à causa da ação e da solidariedade sociais:
Permitam-me ainda, no entanto, uma referência final ao recente Plano de Apoio a Pessoas e Famílias.
Tem nas recentes perturbações financeiras e consequentes reflexos económicos e sociais a sua causa próxima.
Pretende resolver os mais graves problemas decorrentes da degradação das condições de vida das pessoas e famílias, através do acompanhamento social e apoio, principalmente nas áreas mais sensíveis, como é o caso
O Plano integra medidas sociais nos domínios da habitação já referidas, mas reforçadas em consideração pelas especiais dificuldades sociais projetada pela crise. Neste particular, dou conta apenas da extensão excecional dos apoios para os rendimentos acima do limiar da pobreza fixado no “Viseu Solidário” (75% SMN) até ao valor do próprio SMN.
Contempla ainda o Plano medidas que não cheguei a referir, designadamente na área da Educação,
No domínio da alimentação, está já a ser fornecida uma refeição diária gratuita, em articulação com a SCMViseu.
A Misericórdia cobre a área urbana constituída pelas 3 freguesias da cidade; a Câmara assegura as freguesias rurais, através da rede institucional concelhia de apoio domiciliário, satisfazendo todos os casos sinalizados.
De momento estão protocolados os apoios em 7 freguesias, tantas quantas sinalizaram situações de carência severa ou extrema, num total de 24 refeições.
Só mais uma referência à redução do custo com a ligação dos ramais de água e de saneamento previsto para situações de rendimentos até ao SMN.
Destacam-se também as reduções do custo dos consumos de água, quer para as situações de carência económica (segundo o critério do “Viseu Solidário”), quer ainda para as famílias numerosas, ou seja, casais com 3 ou mais filhos.
Este PAPF tem por objetivo, como se referiu, contribuir para a resolução dos problemas sociais mais graves decorrentes do atual período crítico.
Mas pretende ser mais do que isso.
Pretende ir além das especificidades conjunturais e correspetivo cariz assistencial.
Contendo já medidas de apoio geral a pessoas e famílias, é o ponto de partida para a estruturação de medidas de política social integrada, tendo em vista a consolidação do Plano de Apoio a Pessoas e Famílias pós 2009, consubstanciado num apoio geral continuado, considerando todas as dimensões sociais pertinentes, com particular enfoque nas dificuldades próprias das famílias mais numerosas e, de um modo geral, integrando um esforço direcionado às situações excludentes.
Mesmo para terminar, permitam-me que manifeste o firme empenhamento do executivo municipal nas causas sociais.
Vai continuar, e reforçar-se mesmo, a implantação no Concelho de concretizações materiais imprescindíveis ao desenvolvimento.
Continuará a promoção de infra-estruturas de mobilidade e salubridade.
Continuará a criação de condições para o crescimento económico, lembrando o próximo arranque do Tecnopolis Campo/Lordosa.
Mas o investimento no imaterial é uma opção decidida na política municipal.
Continuará o esforço nas realizações culturais, em que destaco a instalação do Museu Municipal de Viseu, já em pleno desenvolvimento.
Continuará o projeto de modernização dos Serviços Municipais, no sentido de uma ainda maior e cada vez maior aproximação ao cidadão.
Continuará, alargando-se e aprofundando-se, o empenhamento nas causas da solidariedade, eliminando, tanto quanto possível, os elementos e fatores excludentes, geradores de marginalização e discriminação social, com vista à construção de uma sociedade mais inclusiva e socialmente sustentável.
Temos todos e cada um de fazer alguma coisa, de assumir o valor da solidariedade e concretizá-lo através da responsabilidade social:
Se assim for, haverá certamente fundadas esperanças de uma sociedade cada vez mais solidária, cada vez mais justa, cada vez mais equitativa.
Hermínio Loureiro de Magalhães,
Vereador
Pelouro da Ação e Solidariedade Social
Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias
Colóquio > “A Família: como fortalecer os seus valores perante os desafios da sociedade atual”
Tema > “Qual o papel que as autarquias devem desempenhar no apoio às Famílias”
25Jan09
