O movimento associativo é determinante, imprescindível mesmo, no trabalho de promoção e melhoria das condições de vida das pessoas. As suas organizações assumem a vanguarda do desenvolvimento sócio-económico, constituindo-se especialmente como arautos e fautores da luta contra todas as formas de exclusão social.

Tendo a pessoa humana como princípio e fim de atuação e, nessa base, afirmando e promovendo os direitos humanos básicos da liberdade e da igualdade, as instituições de solidariedade catapultam a ação para valores de um novo e superior patamar, na senda da construção de comunidades cada vez mais inclusivas.

A participação democrática, que pauta o quadro do seu funcionamento interno e o próprio sentido da atividade desenvolvida, coloca as pessoas no centro da sua existência e da sua ação, requalificando o emprego e contribuindo para o reforço da coesão social e económica. Felizmente, a economia social é hoje em dia uma realidade pujante e o seu universo institucional – associações, fundações, mutualidades e cooperativas – constitui uma rede de agentes incontornáveis de promoção do desenvolvimento.

São os impulsos individuais de solidariedade catalisados por laços de familiaridade e proximidade que, alargando-se em sentimentos e manifestações de altruísmo e filantropia, dão alma e capacidade de ação às instituições sociais. Constantemente alimentadas por essa autenticidade, vão reforçando a sua legitimidade e oferecem-se às estruturas comunitárias com capacidade próprias para entender a realidade social e aptidão adequada para responder à problemática emergente.

Não restam dúvidas sobre a inquestionável aptidão metodológica das redes sociais para a abordagem e busca de soluções no campo social, tanto quanto se revela imperioso ter nelas instituições de solidariedade social como parceiros necessários. Isso é válido para projetos específicos, como entre nós a acontece com a proteção às crianças e jovens em risco e vítimas de violência doméstica, acompanhamento das situações de toxicodependência e prestações de cuidados de saúde primários, o apoio aos desempregados e o serviço de refeições sociais, a promoção da atividade sénior ou a luta contra a solidão e isolamento típicos de certos contextos socais mais vulneráveis. Mas é sobretudo no âmbito concelhio que a rede social ganha a verdadeira dimensão do todo institucional e as vontades todas respondem assertivamente à obliteração progressiva dos óbices excludentes e à mais profunda e lídima ânsia individual de conquista da cidadania.

Com a nossa convicção inabalável de que é possível uma sociedade cada vez mais inclusiva, acolhemos a Festa da Solidariedade e nela participamos, abrindo a urbe e os espaços, mobilizando a cidade e as pessoas, para reiterar os valores que guiam quantos verdadeiramente se envolvem na causa social, sobretudo através da participação associativa. Viseu, Cidade Solidária, dá as boas-vindas à Chama da Solidariedade e assume empenhadamente a sua custódia, para a alimentar com o espírito de justiça e equidade que propugna, no propósito de a devolver socialmente mais intensa e mais luzente à Cidade que para o ano a quiser acolher.