“Tinto no Branco” cumpriu expectativas da “melhor edição de sempre” 

 

“Casa cheia” no festival literário de Viseu e no salão “Vinhos de Inverno”. Evento entra num “novo patamar de exigência” 

A 3ª edição do “Tinto no Branco”, o Festival Literário de Viseu, e o salão “Vinhos de Inverno” terminam este domingo, com um saldo “muito positivo e desafiador”, na opinião do Presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques. “A expectativa da melhor edição de sempre foi integralmente cumprida. Arriscámos ir mais longe e o festival entra agora num novo patamar de exigência”, refere o autarca.

O festival trouxe grandes nomes da literatura e do pensamento a Viseu, com “duelos literários” e “frente-a-frentes” inesperados, conquistando quase 5000 pessoas, que visitaram o Solar do Vinho do Dão para participar do evento enoturístico e literário mais charmoso do país.

A abrir o Festival Literário, a aposta foi certeira: Michael Palin, o famoso humorista britânico dos Monty Python, e Ricardo Araújo Pereira deixaram rendida uma enorme plateia que aguardava já cedo para assistir a uma conversa “completamente diferente”. Embora o frio e o discurso em inglês, não faltaram gargalhadas e aplausos, naquele que foi considerado o momento alto do Festival. Cerca de 1000 pessoas estiveram presentes.

 “O ‘Tinto no Branco’ tem a especial virtude de confirmar o potencial de Viseu enquanto destino cultural e turístico de Inverno”, associando três grandes atributos: os seus vinhos, o seu património e a cultura”, explica o Vereador da Cultura e do Turismo, Jorge Sobrado. “É certo que uma nova edição do Festival Literário de Viseu regressará em 2018”, remata.

Vinhos e literatura, conversas e provas de vinhos e sabores regionais, espetáculos de música, performances literárias, workshops e oficinas infanto-juvenis fizeram o programa deste festival.

No total, 30 escritores e grandes nomes do panorama literário nacional como Pedro Mexia, Francisco José Viegas, Nuno Júdice, Frei Bento Domingues, Daniel Oliveira ou Fernando Dacosta deram voz aos duelos literários que garantiram sempre sala cheia. A ciência e a religião; a poesia e a prosa; o campo e a cidade; o ócio e o trabalho foram alguns dos temas em destaque na mesa de conversas.

Cerca de duas dezenas de produtores instalaram-se no salão por excelência do Solar, dando a provar o que de melhor se produz na região demarcada do Dão, e 17 operadores agroalimentares e de artesanato deram a provar os sabores locais e a conhecer os produtos autênticos, “made in” Viseu.

Pedro Mexia, crítico literário e cronista, que se juntou ao Festival para uma “conversa de vida”, afirma que é “uma excelente iniciativa a promoção de um evento deste caráter fora dos grandes centro urbanos, que permite levar a cultura a pessoas curiosas e com interesse, o que se pode confirmar pela adesão a estas conversas”. “É também feliz a associação entre os vinhos e a literatura. Acentua-se a ideia de que a literatura e as artes também fazem parte dos prazeres da vida”, conclui, numa alusão ao mote do “Vinhos de Inverno”.

Também o jornalista e cronista Daniel Oliveira se mostra “bastante impressionado com a qualidade e com a dimensão do Festival”, nesta que é a sua estreia no evento.  “Os Festivais Literários são importantes não só para as regiões, mas também para o país”, destacou.

Para Paulo Ferreira, responsável da agência Booktailors, parceira na organização do festival, “esta edição estabelece um patamar de qualidade reconhecido e materializado na grande afluência de público, com salas permanentemente cheias, fazendo do ‘Tinto no Branco’ uma referência, e confirmando-o como um dos grandes eventos literários do calendário cultural português”.

Durante três dias, o Solar do Vinho do Dão serviu a todos os viseenses, visitantes e turistas um cocktail arrojado de literatura, música, vinhos e sabores do Dão.

O “Vinhos de Inverno” foi ainda dos mais pequenos com ateliês e sessões literárias infanto-juvenis, nas quais marcou presença José Dias Pires. De regresso estiveram ainda as visitas literárias e encenadas “Viseu Misteriosa”, que registaram novamente uma grande adesão por parte do público. Também o historiador Miguel Real regressou à cidade vinhateira para uma visita guiada ao Museu Nacional Grão Vasco.