Festejar o Nascimento de D. Afonso Henriques na cidade de Viseu não impede (no entanto) que outras comemorem a Fundação da Nacionalidade, que Lisboa e Sintra venham a celebrar D. Afonso, pela sua tomada aos Mouros; e Coimbra, Leiria, Santarém e Ourique, pela mesma razão; e Almada, Palmela, Alcácer do Sal… e outras, pelas cartas de amizade e segurança que o nosso Príncipe concedeu aos seus mouros forros, em consertos de pazes e alianças. Todas devem a D. Afonso Henriques, que faz 900 anos que nasceu – a sua dignidade própria de outrora, que é, no fundo, o que estamos a celebrar: com o nascimento do Príncipe, a autonomia de cada uma e do futuro Reino, pela guerra e pela diplomacia, ou seja, a independência de Portugal.
Pensemos só – e basta –, como foi possível o pequeníssimo território português de então ter-se tornado autónomo, no complexo sistema peninsular, onde pontificava o alargadíssimo e poderosíssimo reino de Leão, Castela e Galiza…