Presidente da Câmara quer Conselho de Ministros a reunir em Viseu para resolver impasse do Centro Oncológico

António Almeida Henriques diz que viseenses não perdoarão os responsáveis políticos se não vencerem “a batalha” pela construção deste equipamento. Autarca quer Primeiro-Ministro a assumir a condução do processo

O Presidente da Câmara Municipal de Viseu, António Almeida Henriques, entende que os problemas em torno do Hospital de São Teotónio, nomeadamente o impasse na construção do Centro Oncológico, devem ser tratados diretamente pelo Primeiro-Ministro, face às declarações recentes da Ministra da Saúde, em Viseu, nas quais não se comprometeu com a construção deste equipamento, fundamental para um Hospital que serve uma região com 500 mil habitantes.

“A visita da Ministra da Saúde a Viseu traduziu-se numa enorme desilusão. Não lhe podemos criticar a frontalidade, mas sim a sua coerência, bem como a do Governo. Em reunião com mais de uma dezena de autarcas, assumiu que, para já, só está a tratar do projeto da radio-oncologia, em articulação com o IPO de Coimbra. Foi esse o compromisso que assumiu para a legislatura”, relatou.

Ao intervir na sessão da Assembleia Municipal, na qual se discutiu e aprovou uma moção de contestação face ao adiamento, sine die, na construção do Centro Oncológico, António Almeida Henriques confessou estar preocupado com o futuro do Hospital de São Teotónio, em “várias dimensões”, e alertou para a necessidade de uma luta supra-partidária por aquela que “é uma das maiores âncoras deste território”.

“Temos que ir mais longe. Este é já um problema para o Primeiro-Ministro resolver. Lanço, por isso, um desafio ao Governo para que realize em Viseu o próximo Conselho de Ministros descentralizado, para que se resolva de uma vez por todas o problema do Centro Oncológico, mas também outros”, sustentou.

O Presidente da Câmara de Viseu entende ainda que, se for necessário voltar à rua para manifestar indignação, todos o devem fazer, incluindo “os vereadores e deputados do PS, que não vi na última manifestação”.

“Se perdermos esta batalha, estaremos a perder muito do nosso futuro. Os viseenses não nos perdoarão se não defendermos o futuro do nosso Hospital”, alertou, lembrando os 22 anos “muito difíceis” desta unidade de saúde, desde a construção das novas instalações, passando pelo seu equipamento, qualificação dos profissionais de saúde e posterior classificação como Hospital Central.

Agora, constata, “estamos sempre a andar para trás”, o que levanta uma série de questões: “quem quer subalternizar o Hospital de São Teotónio a Coimbra? Quer o Governo que o nosso Hospital perca o estatuto de hospital central? Será que é intenção do Governo penalizar as populações servidas? Não quero acreditar. Onde está a política para o Interior?”.

O autarca recordou o projeto do Centro Oncológico de Viseu, desde que a 6 de maio de 2017, colocou uma placa no local de construção deste equipamento.

E continuou: “qual foi o Governo que a 17 de julho de 2017 anunciava o concurso público para as obras, repito, obras, que seria lançado ainda em 2017, e cuja valência estaria a funcionar em 2019? Qual foi o Conselho de Administração que a 24 de agosto de 2017 anunciava que se iniciaria em breve o processo de construção da unidade de radioterapia, após autorização do Governo? Qual foi a Ministra que disse, em 2019, que o Conselho de Administração ainda não tinha apresentado projeto, mas que o Centro Oncológico seria construído? Estamos em 2020 e nada acontece. Pelos vistos, o Conselho de Administração até exorbitou competências ao encomendar o projeto do Centro Oncológico”.

O Presidente da Câmara Municipal mostrou-se ainda preocupado com o concurso, com pré-qualificação, para a ampliação das Urgências. “Os requisitos são tantos que nenhuma empresa da Região cabe neste fato. Espero que não seja mais um fator de atraso. Este devia ser um concurso com caráter de urgência”, observou.