Município de Viseu avança com novo programa para colmatar a carência de espaços para a criação artística no concelho
20-02-2026Cultura

"Atelier Viseu” pretende oferecer respostas concretas no que à disponibilização de espaços municipais diz respeito, mas também incentivar à ocupação de espaços independentes, em particular no Centro Histórico, através da atribuição de apoio financeiro ao arrendamento
Atento às necessidades dos agentes e promotores culturais do concelho, particularmente no que concerne à falta de espaços para o desenvolvimento da criação artística e cultural no território, o Município de Viseu anunciou ontem o novo programa "Atelier Viseu” e, com ele dois instrumentos específicos: o concurso de atribuição de espaços municipais e o FICCA – Fundo de Incentivo a Casas de Cultura e Arte.
"É clara a insuficiência de espaços adequados para que as associações, as coletividades e os artistas do concelho possam exercer a sua atividade criativa. Queremos, por isso, criar soluções que sejam equilibradas, com oportunidades para todos, através de concursos ou candidaturas, e que possam responder às necessidades e anseios da comunidade artística”, avançou o Presidente da Câmara Municipal, João Azevedo.
Através do concurso de atribuição de espaços municipais, a autarquia irá colocar à disposição salas no antigo Orfeão de Viseu, na Rua Direita (quatro), e no atual Círculo de Criação Contemporânea de Viseu (CCCV) – Polo II (quatro), na Travessa de São Lázaro. Ambos os espaços passarão a ser a casa de projetos artísticos responsáveis por promover e gerir a programação dos próprios locais, numa lógica de responsabilidade partilhada entre o Município e os agentes culturais e artísticos.
No caso do antigo Orfeão, a sua ocupação será voltada para entidades que desenvolvam trabalho de criação artística e atividades de teor cultural, formativo e socioeducativo, enquanto o CCCV – Polo II assumir-se-á como uma incubadora para companhias e artistas emergentes e laboratório criativo e de experimentação artística.
A atribuição de espaços será realizada através de concurso e os contratos de comodato a celebrar vigorarão por um período de cinco anos.
Complementarmente, o Município criou também um programa de apoio financeiro ao arrendamento cultural e artístico de espaços independentes, intitulado FICCA, disponibilizando um montante global inicial de 25 mil euros. Este programa visa auxiliar os agentes culturais e artísticos que tenham como principais objetivos a promoção do desenvolvimento da sua atividade no concelho. Simultaneamente, é também uma ferramenta para incentivar a autonomia e profissionalização do setor e atrair novos projetos e atividades para o território, em particular para o Centro Histórico, contribuindo para a sua revitalização e dinamismo.
Sendo igualmente atribuído por concurso, o apoio financeiro será mensal e fixar-se-á em 60%, no valor máximo de renda até 750 euros, pelo período de um ano, renovável até um máximo de quatro anos consecutivos.
Guilherme Gomes, assessor do Presidente para a área da Cultura, explicou que "o ‘Atelier Viseu’ não se encerra nestas duas soluções. Continuam aqui a faltar-nos os espaços de utilização temporária e mais espaços de utilização prolongada, mas, na verdade, estas soluções que apresentámos hoje já nos permitem responder a mais entidades”.