“A Linha do Dão foi das primeiras vias-férreas de bitola estreita (via métrica) de Portugal. Com o mesmo nome do rio que acompanha ao longo de parte do seu percurso, a Linha do Dão foi inaugurada a 25 de Novembro de 1890, tendo sido a primeira via-férrea a chegar à capital de distrito - Viseu, muitos anos antes da Linha do Vouga. A sua construtora, a Companhia Nacional de Caminhos de Ferro, foi a mesma responsável pela construção da Linha do Tua.

Com início na estação de Santa Comba Dão, onde intersectava a Linha da Beira Alta, a Linha do Dão viria ainda a passar por Tondela, atravessando as terras do Dão, até chegar à estação de Viseu numa extensão total de 49,2 Km. A partir daqui viria a ligar à Linha do Vouga que estabeleceria a ligação até Aveiro interligando com a Linha do Norte.

Durante grande parte do século XX a Linha do Dão, foi o principal meio de transporte de pessoas e mercadorias estabelecendo a ligação entre a região Centro do país e os grandes centros urbanos do litoral, numa altura em que as alternativas rodoviárias eram praticamente inexistentes e de muito má qualidade.

Na década de 60 as antigas locomotivas a vapor foram substituídas por automotoras a diesel Allan, garantindo um maior conforto e rapidez no percurso, para além da segurança nomeadamente ao nível da redução do número de incêndios.

Na década de 70 a melhoria das acessibilidades rodoviárias e a massificação dos transportes rodoviários e da viatura própria conduziram à redução na procura das alternativas ferroviárias, que tinham vindo a sofrer um desinvestimento nas últimas décadas. O material circulante obsoleto e as limitações do traçado que implicavam velocidades reduzidas ditaram a fraca competitividade deste meio de transporte e o seu progressivo abandono.

Em Agosto de 1972, o serviço de mercadorias foi suspenso, sendo a Linha do Dão totalmente encerrada em 25 de Setembro de 1988. Em 1 de Janeiro de 1990 foi a vez da Linha do Vouga ser encerrada pela segunda vez, entre Sernada do Vouga e Viseu, deixando esta capital de distrito com o título da «maior cidade europeia sem comboio». Entre 1997 e 1999 os carris foram levantados, bem como o balastro e as travessas, tendo todo o património edificado ficado ao abandono.

A estação de Viseu viria a ser demolida alguns anos mais tarde, restando apenas algumas memórias ferroviárias no local. Algum do espaço canal ferroviário seria mais tarde ocupado na sequência de processos de urbanização e infraestruturação tendo no entanto sido possível manter grande parte da continuidade desta infraestrutura.

A reconversão do antigo ramal ferroviário em Ecopista inicia-se em 2001, momento em que a REFER (entidade responsável por esta infraestrutura) decide promover um Plano Nacional de Ecopistas no sentido de salvaguardar todo o património desativado, protocolando ao longo dos anos seguintes com os vários municípios envolvidos a concessão dos ramais e património edificado.

No âmbito desse processo, a REFER promove o desenvolvimento de um Estudo Prévio de Requalificação Ambiental da Linha do Dão em 2003 que constituirá o ponto de partida para a reconversão desta infraestrutura.

Mais tarde, já em 2007 os municípios de Santa Comba Dão, Tondela e Viseu delegam na Comunidade Intermunicipal da Região Dão Lafões a gestão do Projeto de Execução da Ecopista do Dão tendo a execução da Obra sido parcialmente suportada pelo QREN - Quadro de Referência Estratégica Nacional. A Obra foi lançada por um Consórcio supra municipal constituído pelos municípios de Santa Comba Dão, Tondela e Viseu.

A utilização deste canal ferroviário foi finalmente devolvida à população após décadas de abandono, através da sua reconversão em Ecopista, tendo sido inaugurada no dia 01 de Julho de 2011.”

Regulamento

Vídeo Ecopista do Dão