CAVALHADAS DE VILDEMOINHOS

Todos os anos, em mês de santos populares e dia de São João, a 24 de junho, a população de Vildemoinhos deixa para trás a sua aldeia e ruma em direção à cidade, num desfile de animação e carros alegóricos que atrai milhares de viseenses e visitantes. Desde os mais tradicionais, aos mais artísticos ou satíricos, a cor, as tradições, as quadras, os manjericos e a famosa broa são ingredientes que acompanham este cortejo centenário, cuja origem remonta ao ano de 1652. Acima de tudo, mais do que festividade da cidade, as Cavalhadas de Vildemoinhos são parte da história desta povoação viseense, de moinhos e moleiros, e do seu triunfo perante as adversidades e as épocas amargas do labor. A tradição é pois uma festividade simbólica, um ritual anual de agradecimento a São João, o santo milagroso que acudiu às preces de moleiros e aldeões em épocas de desespero. Em quase quatro centenários de existência, esta passou sobretudo a uma festa coletiva, de todos os viseenses, ansiosamente aguardada ao longo do ano.

Em 2017, as Cavalhadas de Vildemoinhos animam as ruas de Viseu, em dia de São João, 24 de junho, homenageando a Associação de Bombeiros Voluntários de Viseu e destacando o “2017, Ano Oficial para Visitar Viseu”. O cortejo terá início pelas 9 horas.

Sabia que...?

... as Cavalhadas de Vildemoinhos constituem um festividade em agradecimento a São João?

Em 1652, uma quezília entre agricultores e moleiros originou um período conturbado na povoação. A luta pelas águas do Rio Pavia foi acesa e levou os agricultores a construir açudes para represar a água do rio e assim abastecer os seus cultivos. Perante tal ação, os moinhos dos moleiros deixaram de funcionar já que a água do rio, a força motriz das mós, não abundava. Tal desespero levou a povoação de Vildmoinhos em romaria até à Capela do santo, situada em São João da Carreira, numa reza fervorosa pelo milagre que tanto ansiavam: a libertação do rio Pavia e a abundância do seu caudal. Tumultos e conflitos perduraram durante algum tempo e os moleiros, decididos a fazer funcionar as mós, foram rio acima e destruíram os açudes. A quezília chegou a tal ponto que um recurso foi interposto às autoridades de Lisboa. Mas a notícia que os proprietários e agricultores esperavam ouvir não foi a mais favorável. A razão era assim dada aos moleiros. Depois de uma dura batalha pela água do rio, os moleiros triunfavam. Crentes na intervenção do santo, vestiram as suas melhores indumentárias, enfeitaram as carroças, os burros e os cavalos e rumaram à capela, na noite de 23 de junho. Lá, dançaram e cantaram em louvor a São João, agradecendo tal milagre, regressando a Vildemoinhos já com o sol a pique. Das carroças de bois, hoje sobram poucas, apenas algumas que remontam aos tempos mais antigos, dando lugar a fanfarras, bombos, gigantones, ranchos e filarmónicas. Mudam-se os tempos, permanece o agradecimento, sem nunca se esquecer a ida dos cavaleiros à Capela do Santo, em São João da Carreira. Todos os anos, religiosamente.